Seu tormento eleitoral
17:00h, Quinta-feira, sol baixo, 23ºC, apenas dois carros estacionados na rua, você abre o portão de casa e já pressente o pior. Sua cabeça começa a latejar de dor, e você conhece bem o refrão. Todo seu sistema nervoso central entra em choque, é o começo da tortura, o carrasco do bom IDH brasileiro. Sim, é a paródia ridícula e irritante do dono do supermercado da esquina que tenta se candidatar a vereador desde 1870. Você sente pena da pessoa, mas torna isso muito íntimo, mas você é mau! ri e goza por dentro, você não esquece aqueles 0,30 centavos que ele não te devolveu no troco do pão.
Você nasceu, cresceu, criou seus filhos e até hoje a pessoa tenta tornar mais uma vez um representante público. No seu sofá você se pergunta "porque não nasci Irlandês?" "porque não fui exilado nos anos de chumbo?", enquanto aquele zumbido irritante e cafona toca lá fora, é o som da morte que diz: "Para mudar, vote 31.333, Pedrão do supermercado" e um arranjo de teclado Yamaha, com duas notas musicais.
Época eleitoral é assim mesmo, por mais que tente fugir do tormento publicitário, haverá sempre um santinho 5x10cm com uma foto editada, um compartilhamento no Facebook com o candidato distribuindo sopa na porta do albergue municipal, aquele Fiat 147 com uma caixa preta encima que zoa um barulho horrível, comícios com bandas locais. Você tenta fugir dessa agonia e liga o rádio, em vão. É a Hora do Brasil dizendo que segundo as pesquisas do Datafolha haverá empate técnico no primeiro turno, e com lágrimas nos olhos você se rende.
Eu sei que é complicado, mas já te deprimindo na próxima 3a-feira começa as transmissões pela TV, com debates cronometrados (adoro quando escapa uma "no seu governo o senhor não cumpriu com verba dirigida para a educação, o povo não é burro e o senhor é incompetente"), muita gente com terno alugado e outras meia dúzia sorrindo ao sol com moscas no cabelo. Podemos definir propaganda eleitoral no Brasil como um circo perfeito, você ri no começo e eles riem no fim.
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